Guia do CR

Tudo o que a prova de capacitação técnica cobra do candidato a CR: classificação das armas, calibre, munição, normas de segurança e conduta no estande, mais o nome de cada peça em diagramas técnicos.

Classificação das armasTeoria da prova

A prova pede que você saiba enquadrar uma arma em cada um destes critérios. Um mesmo revólver, por exemplo, é curta, de porte, de repetição e de ação dupla ao mesmo tempo.

Quanto ao tamanho

Separa as armas pela forma de empunhar.

Curta
Cabe em uma ou duas mãos e dispara sem apoiar no ombro. Ex.: pistola e revólver.
Longa
Maior e mais pesada, apoiada no ombro. Ex.: espingarda, carabina e fuzil.

Quanto à portabilidade

Mede se uma pessoa consegue carregar e usar a arma sozinha.

De porte
Pequena e leve, pode ficar num coldre e ser disparada só pela mão que atira. Pistolas, revólveres e garruchas.
Portátil
Uma pessoa a transporta, mas não num coldre, e usa as duas mãos para atirar bem. Ex.: carabina, fuzil, espingarda.
Não portátil
Pesada demais para uma pessoa só carregar e operar. Fica fora do dia a dia do atirador esportivo.

Quanto ao carregamento

Por onde a munição entra e quem faz o esforço.

Antecarga
Carregada pela boca do cano, como as armas antigas de pólvora negra.
Retrocarga manual
Carregada por trás do cano, com a força do próprio atirador.
Retrocarga automática
Carregada por trás do cano, aproveitando a energia do disparo, sem o atirador precisar fazer força.

Quanto ao funcionamento

O que a arma faz sozinha depois de um disparo.

Repetição
O atirador precisa agir (girar o tambor, puxar o ferrolho, bombear) para deixar a arma pronta de novo. Ex.: revólver.
Semiautomática
Faz sozinha tudo, menos o disparo: cada tiro exige um novo aperto do gatilho. Ex.: pistola.
Automática
Enquanto o gatilho estiver apertado, a arma carrega e dispara continuamente, em rajadas.

Quanto ao sistema de acionamento

Como o gatilho arma e libera o cão ou percussor.

Ação simples
O gatilho só solta o cão, que já foi armado antes à mão. Ex.: pistola Imbel .380.
Ação dupla
O próprio gatilho arma e solta o cão numa única puxada, sem precisar engatilhar antes.
Dupla ação (simples/dupla)
Aceita as duas formas: engatilhar antes e disparar com toque leve, ou só puxar o gatilho. É comum em revólveres.

Quanto à alma do cano

A alma é a parte interna do cano, por onde o projétil viaja.

Alma lisa
Interior totalmente polido. Não precisa girar o projétil, então é o padrão das espingardas.
Alma raiada
Interior com sulcos em espiral (raias) que fazem o projétil girar e se manter estável no ar.

Raias e cano raiado

Detalhes do cano raiado que costumam aparecer na prova.

Raias
Os sulcos em espiral dentro do cano. A rotação que criam dá estabilidade ao projétil.
Cheios
As partes altas entre as raias. O diâmetro medido de cheio a cheio é o calibre real do cano.
Sentido das raias
Podem girar à direita (destrógiro) ou à esquerda (sinistrógiro), conforme o fabricante.

A divisão entre arma de uso permitido e de uso restrito depende de calibre e energia, e esses limites mudam por decreto. Confira sempre a norma vigente no site do Exército antes de estudar essa parte.

CalibreTeoria da prova

Existem três medidas com nome parecido. Na prova, a diferença entre elas é ponto certo.

calibre realcalibre do projétilcheioraia (sulco)
Corte do cano visto de frente. O calibre real mede de cheio a cheio; o calibre do projétil mede de fundo a fundo de raia.
Calibre real
Diâmetro interno do cano medido entre os cheios, isto é, entre as partes altas das raias.
Calibre do projétil
Diâmetro interno medido entre os fundos das raias, isto é, nos sulcos. Só existe em cano raiado.
Calibre nominal
O nome comercial da arma ou munição (9 mm, .380, .38 SPL). Nem sempre bate com as medidas reais do cano.

Munição e projéteisTeoria da prova

Cartucho é a munição completa. Veja o corte ilustrado na seção Munição, mais abaixo, e aprenda os nomes de cada parte e dos tipos de projétil.

Estojo
A peça que une todos os componentes do cartucho e facilita manuseio e carregamento.
Espoleta
Fica na base do estojo. Contém uma mistura sensível que produz a chama quando é atingida pelo percussor.
Pólvora (propelente)
Queima com a chama da espoleta e gera gases que empurram o projétil pelo cano.
Projétil
A parte que sai pelo cano. Também chamada de bala ou ponta.
Fogo central
A espoleta é uma peça separada, no centro da base do estojo. É o tipo da maioria das munições de arma de porte.
Fogo circular
A mistura iniciadora fica espalhada na borda da base do estojo. É o tipo do calibre .22.

Tipos de projétil

O formato da ponta muda o comportamento no alvo.

Ogival
Ponta arredondada e afilada; boa penetração e alimentação suave na arma.
Expansiva (ponta oca)
Ponta com cavidade que se abre ao atingir o alvo, transferindo mais energia.
Canto vivo
Formato cilíndrico com borda reta, comum em munição de tiro ao alvo.
Semicanto vivo
Meio-termo entre o ogival e o canto vivo.

Normas de segurançaTeoria da prova

Leia até saber explicar cada norma com suas palavras. A prova cobra tanto a teoria quanto a atitude no estande.

As 4 regras que valem sempre

Todas as normas abaixo derivam destas. Se você guardar só quatro coisas, guarde estas.

  • Trate toda arma como se estivesse carregada, sempre, mesmo que você mesmo a tenha descarregado.
  • Nunca aponte a arma para nada que você não pretenda atingir. A boca do cano sempre fica numa direção segura.
  • Mantenha o dedo esticado ao longo da armação, fora do gatilho e do guarda-mato, até o momento real do disparo.
  • Só atire sabendo o que há no alvo e atrás dele: o projétil precisa ser contido com segurança.

As 28 normas de segurança

Na mesma ordem da cartilha de estudo, para você cruzar a numeração com o material do seu curso.

  1. 1Só aponte a arma, esteja ela carregada ou não, para onde você pretende atirar.
  2. 2Nunca engatilhe a arma se você não vai atirar.
  3. 3Nunca aponte a arma numa direção que não seja segura.
  4. 4Trate toda arma como se estivesse sempre carregada.
  5. 5Antes de usar uma arma, aprenda a manuseá-la com um instrutor credenciado.
  6. 6Mantenha o dedo esticado ao longo do corpo da arma até estar realmente apontando para o alvo e pronto para disparar.
  7. 7Ao sacar ou coldrear a arma, faça sempre com o dedo esticado ao longo dela.
  8. 8Sempre confirme que a arma está descarregada antes de qualquer limpeza.
  9. 9Nunca deixe uma arma largada ou sem supervisão.
  10. 10Guarde armas e munições separadas, em local fora do alcance de crianças.
  11. 11Nunca teste as travas de segurança apertando o gatilho.
  12. 12As travas são apenas dispositivos mecânicos e não substituem o bom senso.
  13. 13Confirme que o alvo e a área ao redor dele aguentam os impactos dos disparos com a máxima segurança.
  14. 14Nunca atire em superfícies planas e duras ou na água: os projéteis podem ricochetear.
  15. 15Nunca pegue nem receba uma arma com o cano apontado na sua direção.
  16. 16Ao carregar ou descarregar uma arma, aponte sempre o cano para uma direção segura.
  17. 17Se a arma “negar fogo”, mantenha-a apontada para o alvo por cerca de 30 segundos: às vezes a ignição do cartucho atrasa.
  18. 18Ao entregar uma arma a alguém, entregue-a sempre descarregada.
  19. 19Sempre que pegar uma arma, confira se ela está mesmo descarregada.
  20. 20Confira se a munição corresponde ao tamanho e ao calibre da arma.
  21. 21Com a arma empunhada e fora do coldre, nunca a aponte para nenhuma parte do seu corpo nem para pessoas ao redor. Só para o alvo.
  22. 22Revólveres soltam gases e resíduos de chumbo pela fresta entre cano e tambor. Pistolas e rifles ejetam estojos quentes de lado. Mantenha mãos livres dessas zonas e as pessoas afastadas.
  23. 23Fique atento a obstruções no cano. Se notar recuo fraco ou som de detonação diferente, interrompa os disparos, descarregue e verifique se há obstrução. Um projétil preso ou lama, terra e graxa podem danificar a arma e ferir o atirador.
  24. 24Ao atirar, use sempre óculos de proteção e abafador de ruído.
  25. 25Nunca modifique as características originais da arma. Se for necessário, procure um armeiro profissional qualificado.
  26. 26Nunca porte arma sob efeito de substâncias que reduzam sua percepção, como álcool, drogas ilícitas e medicamentos.
  27. 27Nunca transporte nem coldreie a arma com o cão armado.
  28. 28Munição velha ou recarregada não é confiável e pode ser perigosa.

Conduta no estande de tiroProva prática

Na prova prática o instrutor avalia sua obediência e sua segurança tanto quanto seu resultado no alvo.

  1. 1O silêncio é regra na linha de tiro. Sem ele, ninguém ouve o comando do instrutor.
  2. 2No estande, a arma fica sempre descarregada e guardada, a não ser que o instrutor dê o comando expresso.
  3. 3Carregar, sacar, descarregar, inspecionar e coldrear só acontecem sob comando do instrutor, com o cano numa direção segura.
  4. 4Obedeça ao comando e faça só o que foi pedido. Nunca antecipe uma ação nem faça algo que não foi comandado.
  5. 5Em caso de qualquer incidente, fique de frente para o alvo, com a arma apontada para ele, e levante o braço oposto para chamar o instrutor.
  6. 6Se mais de um candidato atirar ao mesmo tempo, mantenha o alinhamento com os outros atiradores.

Prova prática de tiroProva prática

O teste muda conforme o tipo de arma. Quem vai comprar uma carabina faz a prova com arma longa de alma raiada: 10 tiros a 20 metros, e 30 dos 50 pontos aprovam.

Parâmetros da prova prática de tiro por tipo de arma
ArmaDistânciaTirosTempoAprovação
Arma longa de alma raiadaCarabina (por exemplo .22 e .38 SPL)20 m2 séries de 5 (10 tiros)30 s por série30 de 50 pontos (60%)
Arma curta de alma raiadaPistola, revólver5 m e 7 m10 tiros a 5 m + 10 tiros a 7 m (20 tiros)20 s a cada 5 tiros, ou 40 s a cada 1030 pontos em cada distância (60%)
Arma curta de alma lisaRevólver de cano liso10 m2 séries de 2 (4 tiros)4 s por série2 acertos em 4 tiros (50%)
Arma longa de alma lisaEspingarda15 m2 séries de 2 (4 tiros)20 s por série2 acertos em 4 tiros (50%)
  1. 1O alvo é uma silhueta humanoide padrão da PF, com zonas que valem de 5 a 0 pontos.
  2. 2Só vale munição original. Munição recarregada é proibida na prova.
  3. 3Você começa na posição de retenção, com a arma travada, e só destrava quando o instrutor der o comando.
  4. 4Infringir norma de segurança ou de conduta no estande pode reprovar o candidato, mesmo com a pontuação certa.
  5. 5Reprovado, você pode pedir nova avaliação depois de 30 dias.

Parâmetros do regulamento da cartilha de armamento e tiro da Polícia Federal, para aquisição, registro e transferência. O porte tem provas próprias. Confirme com o instrutor credenciado se o seu laudo vale para outra categoria de arma antes de trocar o modelo que pretende comprar.

Já estudou a teoria?

Teste o que aprendeu e veja o gabarito comentado na hora.

Fazer o simulado

Partes das armas

A prova pede o nome das peças. Passe o mouse sobre uma peça ou sobre sua descrição para destacá-la no desenho.

PistolaAnatomia

Arma curta semiautomática, alimentada por carregador na empunhadura — recarrega sozinha a cada disparo.

Diagrama técnico
12345678
1

Cano / Boca

Tubo por onde o projétil sai; define o calibre da arma.

2

Corrediça (Slide)

Desliza no recuo, ejeta o cartucho usado e recarrega a câmara.

3

Massa de mira

Referência dianteira de pontaria, na boca do cano.

4

Alça de mira

Referência traseira de pontaria; alinhada com a massa de mira, aponta o disparo.

5

Armação (Frame)

Estrutura inferior que aloja o mecanismo de disparo.

6

Gatilho e guarda-mato

Aciona o disparo; o guarda-mato protege contra acionamento acidental.

7

Empunhadura

Onde a mão segura a arma; abriga o carregador internamente.

8

Carregador

Compartimento removível que armazena as munições.

RevólverAnatomia

Arma curta de repetição manual, com câmaras de munição dispostas em um tambor giratório.

Diagrama técnico
12345678
1

Cano

Guia o projétil; o comprimento influencia precisão e velocidade.

2

Tambor (Cilindro)

Gira a cada disparo, alinhando uma câmara nova ao cano.

3

Massa de mira

Referência dianteira de pontaria, na boca do cano.

4

Cão (Martelo)

Percute o cartucho ao ser liberado pelo gatilho.

5

Gatilho e guarda-mato

Aciona o giro do tambor e o disparo.

6

Empunhadura

Base de apoio da mão; absorve parte do recuo do disparo.

7

Vareta ejetora

Empurra as cápsulas usadas para fora do tambor de uma vez.

8

Alça de mira

Referência traseira de pontaria; alinhada com a massa de mira, aponta o disparo.

CarabinaAnatomia

Longa de cano curto e coronha retrátil, pensada para manejo ágil em espaços reduzidos.

Diagrama técnico
123456
1

Cano

Mais longo que o de uma pistola, ganha alcance e estabilidade.

2

Guarda-mão

Protege a mão do calor do cano e serve de apoio dianteiro.

3

Ferrolho / Manete de armar

Movimenta o mecanismo para inserir o cartucho na câmara.

4

Carregador

Reservatório de munição, geralmente de maior capacidade que o de pistolas.

5

Gatilho e guarda-mato

Aciona o disparo com o dedo protegido dentro do guarda-mato.

6

Coronha retrátil

Apoiada no ombro; regulável para ajustar o comprimento de puxada.

EspingardaAnatomia

Longa de cano liso (sem raias), pensada para atirar cargas de múltiplos projéteis (balins) ou um único balote/slug.

Diagrama técnico
123456
1

Cano de alma lisa

Sem raiamento interno — os balins da carga não precisam de rotação para estabilizar, ao contrário de um projétil único.

2

Carregador tubular

Reservatório abaixo do cano onde os cartuchos ficam enfileirados, empurrados um a um para a câmara.

3

Guarda-mão (bomba)

Desliza para trás e para frente a cada disparo, ejetando o cartucho usado e alimentando o próximo — dá o apelido 'pump'.

4

Janela de ejeção / Ferrolho

Abertura por onde o cartucho vazio é lançado para fora; o ferrolho fecha a câmara no momento do disparo.

5

Gatilho e guarda-mato

Aciona o disparo; o guarda-mato protege contra acionamento acidental.

6

Coronha com soleira

Apoiada no ombro, absorve um recuo geralmente maior que o de uma carabina de calibre menor.

MuniçãoAnatomia

O cartucho completo, pronto pra carregamento e disparo — a peça central de tudo que uma arma faz.

Diagrama técnico
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1

Estojo (Cápsula)

Componente de união mecânica do cartucho: mantém espoleta, pólvora e projétil juntos numa única peça, facilitando o manejo e o carregamento.

2

Espoleta

Recipiente na base do estojo com uma mistura iniciadora, que gera a chama no momento em que o cão ou percussor bate nela.

3

Pólvora (Propelente)

Iniciada pela chama da espoleta, sua combustão expande gases que arremessam o projétil pelo cano — quanto mais pólvora, mais energia no disparo.

4

Projétil

A parte lançada através do cano; também chamada de bala ou ponta. Pode ser ogival, de ponta oca (expansiva) ou de canto vivo, entre outros formatos.

FuzilAnatomia

Longa de cano completo, coronha fixa e maior alcance — a arma de infantaria por excelência.

Diagrama técnico
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1

Cano

Mais longo que o de carabinas; maior alcance e estabilidade balística.

2

Freio de boca / Compensador

Reduz o salto e o recuo na saída do projétil.

3

Tubo de gás

Canaliza parte do gás do disparo para acionar o ferrolho automaticamente.

4

Guarda-mão

Isola o calor do cano e permite acoplar acessórios.

5

Seletor de tiro

Alterna entre trava, tiro único e rajada.

6

Gatilho e guarda-mato

Aciona o disparo.

7

Carregador

Alta capacidade de munição, formato curvo típico de fuzis.

8

Coronha fixa

Apoio de ombro que absorve o recuo de um calibre mais potente.

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